O Supremo Tribunal dos Estados Unidos decidiu nesta quinta-feira (21) abrir a porta para que empresas e cidadãos americanos afetados pelas expropiaciones realizadas pelo governo de Fidel Castro possam reclamar indenizações de Cuba.
Por 8 votos a 1, os ministros derrubaram uma decisão anterior e deram razão à Havana Docks Corporation, empresa que teve seus terminais portuários confiscados em 1960, logo após a vitória da Revolução Cubana. A companhia americana operava os muelles de Havana desde 1909 com concessão válida até 2004.
A decisão tem grande impacto porque reafirma a aplicação do Título III da Lei Helms-Burton (1996), que autoriza processos judiciais contra empresas que se beneficiem de propriedades confiscadas pelo regime cubano após 1º de janeiro de 1959.
Entenda o caso:
A Havana Docks processou grandes operadoras de cruzeiros (Royal Caribbean, Norwegian, Carnival e MSC) por utilizarem os terminais portuários de Havana entre 2016 e 2019. Em 2019, um juiz de Miami havia condenado cada uma a pagar US$ 100 milhões. As empresas recorreram alegando que a concessão já teria expirado, mas o Supremo reverteu o entendimento e validou o direito à indenização.
O juiz Clarence Thomas, relator do caso, destacou que a lei protege o direito de propriedade mesmo após o fim formal da concessão, uma vez que a expropriação ocorreu sem qualquer compensação.
A única voz dissidente foi a juíza Elena Kagan, que argumentou que os muelles já pertenciam ao Estado cubano e que o interesse da empresa americana havia caducado.
Contexto político:
A decisão chega em um momento de forte pressão da administração Donald Trump contra o governo de Miguel Díaz-Canel. Na véspera, o Departamento de Justiça dos EUA indiciou o ex-presidente Raúl Castro por acusações relacionadas ao derrubamento de duas aeronaves em 1996.
Especialistas avaliam que o veredito pode incentivar dezenas de outras ações judiciais de empresas e ex-proprietários americanos que tiveram bens, fábricas, terras e hotéis confiscados nas primeiras décadas da Revolução Cubana.
A Casa Branca vê essas ações judiciais como uma ferramenta importante de política externa para desestimular investimentos estrangeiros em Cuba.
Internacional
Supremo dos EUA abre caminho para indenizações de Fidel Castro em Cuba
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