O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acusou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de “trair a pátria” ao pedir que os Estados Unidos classificassem o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

A declaração foi feita nesta sexta-feira (29), durante evento em Sergipe para anúncio de investimentos da Petrobras. Lula comparou Flávio a Joaquim Silvério dos Reis, delator da Inconfidência Mineira, e afirmou que ele “não tem vergonha na cara”.

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“Joaquim Silvério dos Reis ficaria envergonhado se soubesse que tem um candidato a presidente indo aos Estados Unidos pedir intervenção americana no Brasil”, disse Lula.
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O presidente afirmou ainda que entregou pessoalmente a Donald Trump, durante reunião no início de maio, documentos sobre o combate ao crime organizado. Ele acusou o secretário de Estado americano, Marco Rubio, de agir para ajudar Flávio na disputa eleitoral de 2026.

Posição do governo: O governo brasileiro vê a medida americana como risco à soberania nacional. Em nota, a Secom (Secretaria de Comunicação da Presidência) condenou a decisão e afirmou que o tema está sendo usado politicamente pela família Bolsonaro.
O assessor especial Celso Amorim reforçou que o Brasil aceita cooperação internacional contra o crime organizado, mas rejeita qualquer pretexto para intervenção externa.

Lula reconheceu que PCC e CV são “terroristas para as comunidades brasileiras” e defendeu que o combate deve ser feito internamente, citando a Lei Antifacção já existente e a proposta de criação de um Ministério da Segurança Pública.

Decisão dos EUA: Na quinta-feira (28), o secretário Marco Rubio anunciou a classificação de PCC e CV como organizações terroristas estrangeiras. A medida entra em vigor no dia 5 de junho e atende diretamente a um pedido feito por Flávio Bolsonaro durante viagem recente a Washington.

Rubio justificou a decisão citando o alcance regional das facções e o risco aos interesses de segurança nacional dos EUA.
O Planalto teme que a classificação abra caminho para sanções econômicas e financeiras contra empresas e instituições brasileiras supostamente ligadas às facções.