A cantora Ludmilla se manifestou nas redes sociais neste domingo (28) após o apresentador Marcão do Povo, atualmente no SBT, registrar uma notícia-crime contra ela junto à Polícia Civil por conta de um vídeo publicado pela artista que comentava a situação envolvendo acusação de racismo antiga entre os dois. A reação de Ludmilla, com tom irônico, voltou a impulsionar o debate público sobre o caso que se arrasta há quase uma década.
A origem do conflito
O embate começou em 2017, quando Marcão do Povo, então apresentador do programa Balanço Geral DF na Record TV, se referiu à cantora como “pobre macaca” durante uma transmissão ao vivo, o que foi amplamente interpretado como uma ofensa de conotação racista. Na época, a Record demitiu o apresentador após a repercussão negativa do comentário.
Ludmilla moveu uma ação judicial por injúria racial. Em etapas posteriores do processo, houve decisões contraditórias: um recurso no Superior Tribunal de Justiça (STJ) acabou absolvendo Marcão de uma condenação anterior, com base em questões processuais envolvendo a análise de provas, incluindo um vídeo. A defesa do apresentador argumentou que não houve dolo, e a decisão avaliou aspectos técnicos da produção probatória.
Marcão registra notícia-crime e pede investigação
No último dia 28, Marcão do Povo apresentou uma notícia-crime contra Ludmilla, alegando que o vídeo compartilhado pela artista — no qual ela contestava a alegada absolvição e descrevia a mudança processual como “manobra” — ultrapassaria os limites de liberdade de expressão. No documento, o apresentador classifica as afirmações como mentirosas e imputadoras de conduta criminosa, pedindo que a Polícia Civil apure o caso.
A corporação já instaurou um inquérito para analisar os pedidos, que incluem a retirada do vídeo do ar e possível responsabilização de Ludmilla pelos conteúdos publicados.
Resposta de Ludmilla
Em resposta à ação judicial, Ludmilla ironizou a iniciativa de Marcão em suas redes sociais: “Só no Brasil uma pessoa que chamou a outra de macaca em rede nacional pensa em abrir um inquérito criminal contra a vítima.” A artista tem utilizado sua conta para destacar o que considera contradições no tratamento da situação e questionar a narrativa de inocência veiculada pelo apresentador.
Em outros posicionamentos recentes, Ludmilla também cobrou postura mais firme do SBT, afirmando que a emissora deveria considerar sua responsabilidade editorial ao manter o apresentador no ar apesar das acusações históricas.
Repercussão e contexto atual
O caso voltou aos holofotes nas últimas semanas após a divulgação de decisões judiciais e publicações nas redes sociais, reacendendo debates sobre racismo na mídia, limites da liberdade de expressão e responsabilidade de emissoras e comunicadores no Brasil. A polêmica envolve não apenas aspectos jurídicos, mas também discussões amplas entre internautas e setores da sociedade civil sobre como casos de discurso ofensivo devem ser tratados no ambiente público.
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